<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Grito dos Mudos</title>
	<atom:link href="http://gritodosmudos.wordpress.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://gritodosmudos.wordpress.com</link>
	<description>Um blog Socialista.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 24 Jun 2007 20:45:00 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
<cloud domain='gritodosmudos.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://s2.wp.com/i/buttonw-com.png</url>
		<title>Grito dos Mudos</title>
		<link>http://gritodosmudos.wordpress.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://gritodosmudos.wordpress.com/osd.xml" title="Grito dos Mudos" />
	<atom:link rel='hub' href='http://gritodosmudos.wordpress.com/?pushpress=hub'/>
		<item>
		<title>A partilha de África, I</title>
		<link>http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/06/24/a-partilha-de-africa-i/</link>
		<comments>http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/06/24/a-partilha-de-africa-i/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 24 Jun 2007 20:43:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gritodosmudos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Boaventura Sousa Santos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/06/24/a-partilha-de-africa-i/</guid>
		<description><![CDATA[Tudo leva a crer que estejamos perante uma nova partilha de África. A do final do século XIX foi protagonizada pelos países europeus em busca de matérias-primas que sustentassem o desenvolvimento capitalista e tomou a forma de dominação colonial. A do início do século XXI tem um conjunto de protagonistas mais amplo e ocorre através [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gritodosmudos.wordpress.com&amp;blog=1045436&amp;post=17&amp;subd=gritodosmudos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><a href="http://gritodosmudos.files.wordpress.com/2007/05/boaventura-de-sousa-santos-01.jpg" title="BSS"><img src="http://gritodosmudos.files.wordpress.com/2007/05/boaventura-de-sousa-santos-01.thumbnail.jpg" alt="BSS" align="left" /></a>Tudo leva a crer que estejamos perante uma nova partilha de África. A do final do século XIX foi protagonizada pelos países europeus em busca de matérias-primas que sustentassem o  desenvolvimento capitalista e tomou a forma de dominação colonial. A do início do século XXI tem um conjunto de protagonistas mais amplo e ocorre através de relações bilaterais entre países independentes. Para além dos &#8220;velhos&#8221; países europeus, a partilha inclui agora os EUA, a China, outros países &#8220;emergentes&#8221; (Índia, Brasil, Israel, etc.) e mesmo um país africano, a África do Sul. Mas a luta continua a ser por recursos naturais (desta vez, sobretudo petróleo) e continua a ser musculada, com componentes económicos, diplomáticos e militares. Tragicamente, tal como antes, é bem possível que a grande maioria dos povos africanos pouco beneficie da exploração escandalosamente lucrativa dos seus recursos.</p>
<p align="justify">Os EUA importam hoje mais petróleo de África do que da Arábia Saudita e calcula-se que em 2015 25% venha do continente. Angola é já o segundo maior exportador africano para os EUA (depois da Nigéria). Por sua vez, a China faz vastíssimos investimentos em África, os maiores dos quais em Angola que, no ano passado, se tornou o maior fornecedor de petróleo à China. E o comércio bilateral entre os dois países ultrapassou os 5 biliões de dólares. Entretanto, as empresas multinacionais sul-africanas expandem-se agressivamente no continente nas áreas da energia, telecomunicações, construção, comércio e turismo. Ao contrário do que se poderia esperar de um governo do Congresso Nacional Africano (ANC) de Nelson Mandela, não as move o pan-africanismo. Move-as o capitalismo neoliberal puro e duro, imitando bem as concorrentes do Norte.</p>
<p align="justify">A primeira partilha de África conduziu à Primeira Guerra Mundial e submeteu o continente a um colonialismo predador. E a actual? A luta agora centra-se no petróleo e na distribuição dos rendimentos do petróleo. Uma visita breve a Luanda é suficiente para avaliar da vertigem da construção civil a cargo de empresas chinesas, portuguesas e brasileiras, da selva urbana do trânsito, dos luxuosos condomínios fechados, alugados às empresas petrolíferas, da lotação dos hotéis esgotada com meses de antecedência, enfim, da palavra &#8220;negócio&#8221; e &#8220;empresa&#8221; na boca de toda a gente que tem um veículo de tracção às quatro rodas ou aspira tê-lo. Nada disto chocaria, sobretudo num país só há trinta anos libertado do colonialismo, devastado por uma guerra fratricida fomentada pela África do Sul do apartheid e depois financiada pelos amigos de hoje até estes se convencerem de que a paz poderia ser um bom negócio, um país com carências abissais de infra-estruturas sem as quais não será possível qualquer desenvolvimento. O que choca é que, paredes meias com o mundo da renda petrolífera, viva a grande maioria da população de Luanda na mais abjecta miséria dos musseques em barracas de zinco e cartão, sem luz nem saneamento, pagando caro pela água potável, com lixeiras e esgotos pestilentos servindo de recreio às crianças cuja mortalidade é das mais altas do continente.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/gritodosmudos.wordpress.com/17/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/gritodosmudos.wordpress.com/17/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/gritodosmudos.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/gritodosmudos.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/gritodosmudos.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/gritodosmudos.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/gritodosmudos.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/gritodosmudos.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/gritodosmudos.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/gritodosmudos.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/gritodosmudos.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/gritodosmudos.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/gritodosmudos.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/gritodosmudos.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/gritodosmudos.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/gritodosmudos.wordpress.com/17/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gritodosmudos.wordpress.com&amp;blog=1045436&amp;post=17&amp;subd=gritodosmudos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/06/24/a-partilha-de-africa-i/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/835381d9c9f60b5dc8e997ed4935bf59?s=96&#38;d=identicon" medium="image">
			<media:title type="html">gritodosmudos</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://gritodosmudos.files.wordpress.com/2007/05/boaventura-de-sousa-santos-01.thumbnail.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">BSS</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Anti-capitalismo em menos de cinco minutos</title>
		<link>http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/26/anti-capitalismo-em-menos-de-cinco-minutos/</link>
		<comments>http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/26/anti-capitalismo-em-menos-de-cinco-minutos/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 26 May 2007 18:04:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gritodosmudos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informação Alternativa]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Jensen]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/26/anti-capitalismo-em-menos-de-cinco-minutos/</guid>
		<description><![CDATA[Sabemos que o capitalismo simplesmente não é o modo mais sensato de se organizar uma economia, mas que, agora, é o único modo possível de se organizar uma economia. Sabemos que os dissidentes dessa sabedoria convencional podem, e deveriam, ser ignorados. Não há mais nem sequer qualquer necessidade de se perseguirem tais heréticos; eles são, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gritodosmudos.wordpress.com&amp;blog=1045436&amp;post=16&amp;subd=gritodosmudos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Sabemos que o capitalismo simplesmente não é o modo mais sensato de se organizar uma economia, mas que, agora, é o único modo possível de se organizar uma economia. Sabemos que os dissidentes dessa sabedoria convencional podem, e deveriam, ser ignorados. Não há mais nem sequer qualquer necessidade de se perseguirem tais heréticos; eles são, obviamente, irrelevantes.</p>
<p align="justify">Como sabemos isso tudo? Porque é isso que nos dizem, incansavelmente – geralmente, aqueles que têm mais a ganhar com essa pretensão, sobretudo os que fazem parte do mundo dos negócios e seus respectivos funcionários e defensores nas escolas, nas universidades, nos meios de comunicação de massas e na política convencional. O capitalismo não é uma escolha, mas simplesmente é, como um estado da natureza. Talvez não como um estado da natureza, mas como o estado da natureza. Hoje em dia, contestar o capitalismo é como discutir contra o ar que respiramos. Discutir contra o capitalismo, dizem­‑nos, é simplesmente uma loucura.</p>
<p align="justify">Dizem-nos, uma vez após outra, que o capitalismo não é apenas o sistema que temos, mas o único sistema que poderemos ter. Contudo, para muitos de nós, há algo que não convence nessa pretensão. Será essa realmente a única opção? Dizem-nos que nem sequer deveríamos pensar em tais coisas. Mas não podemos deixar de pensar – é esse realmente o “fim da história”, no sentido em que essa frase tem sido usada pelos “grandes” pensadores, para sinalizar a vitória final do capitalismo global? Se esse é o fim da história, nesse sentido, não podemos deixar de nos perguntar: pode o verdadeiro fim do planeta estar longe?</p>
<p align="justify"> Reflectimos, ficamos inquietos, e esses pensamentos não nos convencem – por um bom motivo. O capitalismo – ou, mais exactamente, o capitalismo corporativo predatório que define e domina as nossas vidas – será a nossa morte se não conseguirmos escapar dele. Encontrar a linguagem apropriada para articular essa realidade é crucial para a política progressista, não em dogmas ultrapassados que alienam, mas em linguagem simples que encontra ressonância entre as pessoas. Deveríamos procurar novos modos de explicar aos colegas de trabalho, nas conversas informais – políticas radicais em menos de cinco minutos – por que devemos abandonar o capitalismo predatório corporativo. Se não fizermos isso, muito provavelmente enfrentaremos o fim dos tempos, e esse fim trará ruptura, e não êxtase ou arrebatamento.</p>
<p align="justify"> Eis a minha tentativa para uma linguagem sobre este argumento.<br />
O capitalismo é, reconhecidamente, um sistema incrivelmente produtivo que tem criado uma enchente de mercadorias, como nenhum outro sistema conhecido no mundo. É também um sistema basicamente (1) desumano, (2) antidemocrático e (3) insustentável. O capitalismo tem dado a quem está no Primeiro Mundo um montão de coisas (a maioria delas de valor marginal ou questionável) em troca das nossas almas, das nossas esperanças relativas às políticas progressistas e à possibilidade de um futuro decente para os nossos filhos.</p>
<p align="justify"> Em poucas palavras, ou mudamos ou morremos – espiritualmente, politicamente, literalmente.<br />
<span id="more-16"></span><br />
<strong> 1. O CAPITALISMO É DESUMANO</strong></p>
<p>Há uma teoria por trás do capitalismo contemporâneo. Dizem-nos que, porque somos animais gananciosos e egoístas, o sistema económico deve recompensar o comportamento ganancioso e egoísta, se queremos ter sucesso em termos económicos.
</p>
<p align="justify"> Somos gananciosos e egoístas? Claro. Pelo menos eu sou, às vezes. Mas também somos capazes igualmente de compaixão e comportamento desinteressado. Certamente podemos agir de modo competitivo e agressivo, mas também temos a capacidade de solidariedade e cooperação. Em síntese, a natureza humana abrange uma gama muito ampla de comportamentos. As nossas acções estão certamente enraizadas na nossa natureza, mas tudo o que sabemos sobre essa natureza é que ela é amplamente variável. Nas situações em que a compaixão e a solidariedade são a norma, tendemos a agir dessa forma. Nas situações onde a competitividade e a agressão são recompensadas, a maioria das pessoas tende a demonstrar esse tipo de comportamento.</p>
<p align="justify"> Por que devemos escolher um sistema económico que mina os aspectos mais decentes da nossa natureza e fortalece os mais desumanos? Porque, dizem­‑nos, é assim que as pessoas são. Que evidência temos disso? Vejam como as pessoas se comportam, dizem­‑nos. Onde quer que olhemos, vemos ganância e perseguição dos interesses próprios. Então, a prova de que esses aspectos gananciosos e egoístas da nossa natureza são dominantes é que, quando forçados a um sistema que recompensa o comportamento ganancioso e egoista, as pessoas, com frequência, agem desse modo. Ora, isso não parece um círculo vicioso?</p>
<p><strong>2. O CAPITALISMO É ANTIDEMOCRÁTICO</strong></p>
<p>Esta é fácil. O capitalismo é um sistema de concentração de riqueza. Concentrando-se a riqueza numa sociedade, concentra-se o poder. Existe algum exemplo histórico do contrário?</p>
<p align="justify"> Para todas as armadilhas da democracia formal nos Estados Unidos, todos compreendem que os ricos ditam as directrizes básicas das políticas públicas que são aceitáveis para a vasta maioria dos representantes governamentais eleitos. As pessoas podem resistir e resistem e, ocasionalmente, um político une­‑se à luta, mas tal resistência exige um esforço extraordinário. Aqueles que resistem conquistam vitórias, algumas delas inspiradoras, mas até à data a riqueza concentrada continua a dominar. É esse o modo de se fazer funcionar uma democracia?</p>
<p align="justify"> Se compreendemos a democracia como um sistema que dá às pessoas comuns um modo significativo de participar na formação das políticas públicas, ao invés de conferir apenas um papel de endosso às decisões tomadas pelos poderosos, então é claro que capitalismo e democracia são mutuamente exclusivos.</p>
<p align="justify"> Vamos falar concretamente. No nosso sistema, acreditamos que as eleições regulares, com a regra de uma pessoa/um voto, juntamente com as protecções da liberdade de expressão e de associação, garantem a igualdade política. Quando vou às urnas, tenho um voto. Quando o Bill Gates vai às urnas, ele tem um voto. O Bill e eu podemos ambos falar livremente e associarmo­‑nos aos demais para propósitos políticos. Portanto, como cidadãos iguais na nossa bela democracia, Bill e eu temos oportunidades iguais de exercermos os nossos poderes políticos. Certo?</p>
<p align="justify"><strong>3. O CAPITALISMO É INSUSTENTÁVEL</strong></p>
<p align="justify">Esta é ainda mais fácil. O capitalismo é um sistema baseado na ideia de crescimento ilimitado. Na última vez que verifiquei, este é um planeta finito. Há só duas maneiras de sairmos disso. Talvez tenhamos a esperança de descobrir um outro planeta em breve. Ou talvez, como precisamos de imaginar modos de lidar com essas limitações físicas, inventaremos tecnologias cada vez mais complexas para transcendermos esses limites.</p>
<p align="justify"> Mas ambas as posturas são igualmente ilusórias. As ilusões podem trazer consolos temporários, mas não resolvem os problemas. Na realidade, elas tendem a criar mais problemas, e esses problemas parecem estar a amontoar­‑se.</p>
<p align="justify"> É claro que o capitalismo não é o único sistema insustentável que os humanos conceberam, mas é o sistema mais obviamente insustentável, e é aquele em que estamos entalados. É aquele que nos dizem ser inevitável e natural, como o ar.</p>
<p align="justify"><strong>O CONTO DE DOIS ACRÓNIMOS: TGIF E TINA</strong></p>
<p align="justify">A famosa resposta da ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher a uma pergunta sobre os desafios do capitalismo foi TINA — There Is No Alternative [Não Existe Nenhuma Alternativa]. Se não existem alternativas, qualquer pessoa que questione o capitalismo é louca.</p>
<p align="justify"> Outro acrónimo, mais comum, revelador da vida sob o capitalismo corporativo predatório é: TGIF — Thank God It’s Friday [Graças a Deus é Sexta-Feira]. É uma frase que comunica a triste realidade para muitos dos trabalhadores dessa economia – os trabalhos que fazemos não são recompensadores, não são gratificantes e, basicamente, não valem a pena serem feitos. Trabalhamos para sobreviver. Então, à sexta-feira, saímos e embebedamo­‑nos para esquecermos essa realidade, esperando encontrar alguma coisa durante o fim­‑de­‑semana que torne possível, na segunda-feira, conforme as palavras de um compositor, «levantarmo­‑nos e recomeçarmos tudo de novo».</p>
<p align="justify"> É bom lembrar que um sistema económico não produz apenas mercadorias; produz pessoas também. A nossa experiência de trabalho molda­‑nos. A nossa experiência de consumir essas mercadorias molda­‑nos. Crescentemente, somos uma nação de pessoas infelizes que consomem milhas de corredores de mercadorias baratas, esperando placar a dor do trabalho frustrante. É essa pessoa que queremos ser?</p>
<p align="justify"> Dizem-nos “Não Existe Nenhuma Alternativa” num mundo onde “Graças a Deus é Sexta-Feira”. Isso não parece um pouco estranho? Será mesmo que não existe alternativa a um mundo desses? Claro que há. Qualquer coisa que seja produto das escolhas humanas pode ser escolhido diferentemente. Não precisamos detalhar um novo sistema com todas as suas especificidades para percebermos que sempre existem alternativas. Podemos encorajar as instituições existentes que fornecem um sítio de resistência (como os sindicatos), enquanto experimentamos novas formas (como as cooperativas locais). Mas o primeiro passo é chamarmos o sistema por aquilo que ele é, sem garantias do que está por vir.</p>
<p align="justify"><strong>NO ÂMBITO DOMÉSTICO E INTERNACIONAL</strong></p>
<p align="justify">No Primeiro Mundo, lutamos com essa alienação e medo. Frequentemente, não gostamos dos valores do mundo que nos cerca; com frequência, não gostamos das pessoas em que nos tornamos; muitas vezes temos medo do que está por vir. Mas no Primeiro Mundo, a maioria das pessoas come regularmente. E isso não acontece no mundo todo. Concentremo-nos não só nas condições que enfrentamos dentro do sistema corporativo predatório, vivendo no país mais rico em toda a história do mundo, mas coloquemos isso num contexto global.</p>
<p align="justify"> Deixem-me voltar a um dado estatístico que referi no primeiro Last Sunday: metade da população do mundo vive com menos de 2 dólares por dia. São mais de 3 mil milhões de pessoas.</p>
<p align="justify"> Eis outro dado estatístico que li recentemente: pouco mais de metade da população da África sub­­‑sahariana vive com menos de 1 dólar por dia. São mais de 300 milhões de pessoas.</p>
<p align="justify"> Que tal mais um dado estatístico? Cerca de 500 crianças em África morrem de doenças associadas à pobreza, e a maioria dessas mortes poderia ser evitada com simples remédios ou redes tratadas com insecticidas. São 500 crianças – não por ano, não por mês, não por semana. Não são 500 crianças por dia. As doenças decorrentes da pobreza reclamam as vidas de 500 crianças por hora, em África.</p>
<p align="justify"> Enquanto tentamos manter a nossa humanidade, estatísticas como essa podem deixar­‑nos loucos. Mas não venham com ideias loucas sobre mudar este sistema. Lembrem-se da TINA: não existe nenhuma alternativa ao capitalismo corporativo predatório.</p>
<p align="justify"><strong>TGILS: THANK GOD IT’S LAST SUNDAY [GRAÇAS A DEUS É O ÚLTIMO DOMINGO]</strong></p>
<p align="justify">Reunimo­‑nos no Last Sunday justamente para sermos loucos juntos. Encontramo­‑nos para dar voz a coisas que sabemos e sentimos, mesmo quando a cultura dominante nos diz que acreditar e sentir essas coisas é loucura. Talvez todos aqui sejamos um pouco loucos. Então, certifiquemo-nos de estarmos a ser realistas. É importante ser realista.</p>
<p align="justify"> Uma das respostas mais comuns que ouço quando critico o capitalismo é: “Bem, talvez tudo isso seja verdade, mas precisamos ser realistas e fazer o que é possível”. Por essa lógica, ser realista é aceitar um sistema que é desumano, antidemocrático e insustentável. Para ser realista, dizem-nos, devemos capitular perante um sistema que rouba as nossas almas, nos escraviza a um poder concentrado, e um dia destruirá o planeta.</p>
<p align="justify"> Mas rejeitar e resistir ao capitalismo corporativo predatório não é loucura. É uma postura eminentemente sadia. Manter a nossa própria humanidade não é loucura. Defender a democracia não é loucura. E lutar por um futuro sustentável não é loucura.</p>
<p align="justify"> O que é verdadeiramente loucura é crer na trapaça de que um sistema desumano, antidemocrático e insustentável – um sistema que deixa metade dos seres humanos do mundo na mais profunda miséria – seja tudo o que possa existir, tudo o que possa ser, tudo o que sempre será.</p>
<p align="justify"> Se isso for verdade, então em breve não sobrará nada para ninguém.</p>
<p align="justify"> Não acredito que seja realista aceitar tal destino. Se isso é ser realista, então direi que estou louco a qualquer dia da semana, a cada Domingo do mês.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/gritodosmudos.wordpress.com/16/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/gritodosmudos.wordpress.com/16/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/gritodosmudos.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/gritodosmudos.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/gritodosmudos.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/gritodosmudos.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/gritodosmudos.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/gritodosmudos.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/gritodosmudos.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/gritodosmudos.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/gritodosmudos.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/gritodosmudos.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/gritodosmudos.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/gritodosmudos.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/gritodosmudos.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/gritodosmudos.wordpress.com/16/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gritodosmudos.wordpress.com&amp;blog=1045436&amp;post=16&amp;subd=gritodosmudos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/26/anti-capitalismo-em-menos-de-cinco-minutos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/835381d9c9f60b5dc8e997ed4935bf59?s=96&#38;d=identicon" medium="image">
			<media:title type="html">gritodosmudos</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Socialismo Século XXI</title>
		<link>http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/25/socialismo-seculo-xxi/</link>
		<comments>http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/25/socialismo-seculo-xxi/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 May 2007 00:19:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gritodosmudos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Boaventura Sousa Santos]]></category>
		<category><![CDATA[Folha de São Paulo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/25/socialismo-seculo-xxi/</guid>
		<description><![CDATA[O que de mais relevante está a acontecer a nível mundial, acontece à margem das teorias dominantes e, até, em contradição com elas. Há vinte anos, o pensamento político conservador declarou o fim da história, a chegada da paz perpétua dominada pelo desenvolvimento &#8220;normal&#8221; do capitalismo – em liberdade e para benefício de todos – [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gritodosmudos.wordpress.com&amp;blog=1045436&amp;post=14&amp;subd=gritodosmudos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://gritodosmudos.files.wordpress.com/2007/05/boaventura-de-sousa-santos-01.thumbnail.jpg" alt="BSS" align="left" />O que de mais relevante está a acontecer a nível mundial, acontece à margem das teorias dominantes e, até, em contradição com elas. Há vinte anos, o pensamento político conservador declarou o fim da história, a chegada da paz perpétua dominada pelo desenvolvimento &#8220;normal&#8221; do capitalismo – em liberdade e para benefício de todos – finalmente liberto da concorrência do socialismo, lançado este irremediavelmente no lixo da história. À revelia de todas estas previsões, houve, neste período, mais guerra que paz, as desigualdades sociais agravaram-se, a fome, as pandemias e a violência intensificaram-se, a China &#8220;desenvolveu-se&#8221; sem liberdade e mediante violações massivas dos direitos humanos e, finalmente, o socialismo voltou à agenda política de alguns países. Concentro-me neste último porque ele constitui um desafio tanto ao pensamento político conservador, como ao pensamento político progressista. A ausência de alternativa ao capitalismo foi tão interiorizada por um como por outro. Daí que, no campo progressista, tenham dominado &#8220;terceiras vias&#8221;, buscando encontrar no capitalismo a solução dos problemas que o socialismo não soubera resolver.</p>
<p align="justify"> Em 2005, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, colocou na agenda política o objectivo de construir o &#8220;socialismo do século XXI&#8221;. Desde então, dois outros governantes – tal como Chávez, democraticamente eleitos –, Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador), tomaram a mesma opção. Qual o significado deste aparente desmentido do fim da história? Qual o perfil da alternativa proposta ao capitalismo? Que potencialidades e riscos ela contém? O socialismo reemerge porque o capitalismo neoliberal, não só não cumpriu as suas promessas, como tentou disfarçar esse facto com arrogância militar e cultural; porque a sua voracidade de recursos naturais o envolveu em guerras injustas e acabou por dar poder a alguns países que os detêm; porque Cuba – qualquer que seja a opinião a respeito do seu regime – continua a ser um exemplo de solidariedade internacional e de dignidade na resistência contra a superpotência; porque, desde 2001, o Fórum Social Mundial tem vindo a apontar para futuros pós-capitalistas, ainda que sem os definir; porque nesse processo ganharam força e visibilidade movimentos sociais, cujas lutas pela terra, pela água, pela soberania alimentar, pelo fim da dívida externa e das discriminações raciais e sexuais, pela identidade cultural e por uma sociedade justa e ecologicamente equilibrada parecem estar votadas ao fracasso no marco do capitalismo neoliberal.</p>
<p align="justify"> O socialismo do séc. XXI, como o próprio nome indica, define-se, por enquanto, melhor pelo que não é do que pelo que é: não quer ser igual ao socialismo do séc. XX, cujos erros e fracassos não quer repetir. Não basta, porém, afirmar tal intenção. É preciso realizar um debate profundo sobre os erros e fracassos para que seja credível a vontade de evitá-los. Quando, em Dezembro passado, o presidente Chávez anunciou o propósito de criar um partido socialista unificado a partir de diferentes partidos que apoiam o governo, o temor que tal gerou de, com isso, estar a propor um regime de partido único de tipo soviético, é bem demonstrativo de como estão vivas as memórias do passado recente.</p>
<p align="justify"> Se tal desidentificação em relação ao socialismo do séc. XX for levada a cabo de maneira consequente, alguns dos seguintes traços da alternativa deverão emergir: um regime pacífico e democrático assente na complementaridade entre a democracia representativa e a democracia participativa; legitimidade da diversidade de opiniões, não havendo lugar para a figura sinistra do &#8220;inimigo do povo&#8221;; modo de produção menos assente na propriedade estatal dos meios de produção do que na associação de produtores; regime misto de propriedade onde coexistem a propriedade privada, estatal e colectiva (cooperativa); concorrência por um período prolongado entre a economia do egoísmo e a economia do altruísmo, digamos, entre Windows Microsoft e Linux; sistema que saiba competir com o capitalismo na geração de riqueza e lhe seja superior no respeito pela natureza e na justiça distributiva; nova forma de Estado experimental, mais descentralizada e transparente, de modo a facilitar o controle público do Estado e a criação de espaços públicos não estatais; reconhecimento da interculturalidade e da plurinacionalidade (onde for caso disso); luta permanente contra a corrupção e os privilégios decorrentes da burocracia ou da lealdade partidária; promoção da educação, dos conhecimentos (científicos e outros) e do fim das discriminações sexuais, raciais e religiosas como prioridades governativas.</p>
<p align="justify"> Será tal alternativa possível? A questão está em aberto. Nas condições do tempo presente, parece mais difícil que nunca implantar o socialismo num só país, mas, por outro lado, não se imagina que o mesmo modelo se aplique em diferentes países. Não haverá, pois, socialismo e sim socialismos do séc. XXI. Terão em comum reconhecerem-se na definição de socialismo como democracia sem fim.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/gritodosmudos.wordpress.com/14/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/gritodosmudos.wordpress.com/14/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/gritodosmudos.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/gritodosmudos.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/gritodosmudos.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/gritodosmudos.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/gritodosmudos.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/gritodosmudos.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/gritodosmudos.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/gritodosmudos.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/gritodosmudos.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/gritodosmudos.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/gritodosmudos.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/gritodosmudos.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/gritodosmudos.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/gritodosmudos.wordpress.com/14/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gritodosmudos.wordpress.com&amp;blog=1045436&amp;post=14&amp;subd=gritodosmudos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/25/socialismo-seculo-xxi/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/835381d9c9f60b5dc8e997ed4935bf59?s=96&#38;d=identicon" medium="image">
			<media:title type="html">gritodosmudos</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://gritodosmudos.files.wordpress.com/2007/05/boaventura-de-sousa-santos-01.thumbnail.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">BSS</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Porquê o Socialismo?</title>
		<link>http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/04/porque-o-socialismo/</link>
		<comments>http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/04/porque-o-socialismo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 04 May 2007 16:42:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gritodosmudos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Albert Einstein]]></category>
		<category><![CDATA[Monthly Review]]></category>
		<category><![CDATA[Resistir.info]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/04/porque-o-socialismo/</guid>
		<description><![CDATA[Será aconselhável para quem não é especialista em assuntos económicos e sociais exprimir opiniões sobre a questão do socialismo? Eu penso que sim, por uma série de razões. Consideremos antes de mais a questão sob o ponto de vista do conhecimento científico. Poderá parecer que não há diferenças metodológicas essenciais entre a astronomia e a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gritodosmudos.wordpress.com&amp;blog=1045436&amp;post=12&amp;subd=gritodosmudos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://gritodosmudos.files.wordpress.com/2007/05/albert-einstein-01.thumbnail.jpg" align="left" />Será aconselhável para quem não é especialista em assuntos económicos e sociais exprimir opiniões sobre a questão do socialismo? Eu penso que sim, por uma série de razões.</p>
<p align="justify">Consideremos antes de mais a questão sob o ponto de vista do conhecimento científico. Poderá parecer que não há diferenças metodológicas essenciais entre a astronomia e a economia: os cientistas em ambos os campos tentam descobrir leis de aceitação geral para um grupo circunscrito de fenómenos de forma a tornar a interligação destes fenómenos tão claramente compreensível quanto possível. Mas, na realidade, estas diferenças metodológicas existem. A descoberta de leis gerais no campo da economia torna-se difícil pela circunstância de que os fenómenos económicos observados são frequentemente afectados por muitos factores que são muito difíceis de avaliar separadamente. Além disso, a experiência acumulada desde o início do chamado período civilizado da história humana tem sido – como é bem conhecido – largamente influenciada e limitada por causas que não são, de forma alguma, exclusivamente económicas por natureza. Por exemplo, a maior parte dos principais estados da história ficou a dever a sua existência à conquista. Os povos conquistadores estabeleceram-se, legal e economicamente, como a classe privilegiada do país conquistado. Monopolizaram as terras e nomearam um clero de entre as suas próprias fileiras. Os sacerdotes, que controlavam a educação, tornaram a divisão de classes da sociedade numa instituição permanente e criaram um sistema de valores segundo o qual as pessoas se têm guiado desde então, até grande medida de forma inconsciente, no seu comportamento social.</p>
<p align="justify">Mas a tradição histórica é, por assim dizer, coisa do passado; em lado nenhum ultrapassámos de facto o que Thorstein Veblen chamou de “fase predatória” do desenvolvimento humano. Os factos económicos observáveis pertencem a essa fase e mesmo as leis que podemos deduzir a partir deles não são aplicáveis a outras fases. Uma vez que o verdadeiro objectivo do socialismo é precisamente ultrapassar e ir além da fase predatória do desenvolvimento humano, a ciência económica no seu actual estado não consegue dar grandes esclarecimentos sobre a sociedade socialista do futuro.</p>
<p align="justify"><span id="more-12"></span>Segundo, o socialismo é dirigido para um fim sócio-ético. A ciência, contudo, não pode criar fins e, muito menos, incuti-los nos seres humanos; quando muito, a ciência pode fornecer os meios para atingir determinados fins. Mas os próprios fins são concebidos por personalidades com ideais éticos elevados e – se estes ideais não nascerem já votados ao insucesso, mas forem vitais e vigorosos – adoptados e transportados por aqueles muitos seres humanos que, semi-inconscientemente, determinam a evolução lenta da sociedade.</p>
<p align="justify">Por estas razões, devemos precaver-nos para não sobrestimarmos a ciência e os métodos científicos quando se trata de problemas humanos; e não devemos assumir que os peritos são os únicos que têm o direito a expressarem-se sobre questões que afectam a organização da sociedade.</p>
<p align="justify">Inúmeras vozes afirmam desde há algum tempo que a sociedade humana está a passar por uma crise, que a sua estabilidade foi gravemente abalada. É característico desta situação que os indivíduos se sintam indiferentes ou mesmo hostis em relação ao grupo, pequeno ou grande, a que pertencem. Para ilustrar o meu pensamento, permitam-me que exponha aqui uma experiência pessoal. Falei recentemente com um homem inteligente e cordial sobre a ameaça de outra guerra, que, na minha opinião, colocaria em sério risco a existência da humanidade, e comentei que só uma organização supra-nacional ofereceria protecção contra esse perigo. Imediatamente o meu visitante, muito calma e friamente, disse-me: “Porque se opõe tão profundamente ao desaparecimento da raça humana?”</p>
<p align="justify">Tenho a certeza de que há tão pouco tempo como um século atrás ninguém teria feito uma afirmação deste tipo de forma tão leve. É a afirmação de um homem que tentou em vão atingir um equilíbrio interior e que perdeu mais ou menos a esperança de ser bem sucedido. É a expressão de uma solidão e isolamento dolorosos de que sofre tanta gente hoje em dia. Qual é a causa? Haverá uma saída?</p>
<p align="justify">É fácil levantar estas questões, mas é difícil responder-lhes com um certo grau de segurança. No entanto, devo tentar o melhor que posso, embora esteja consciente do facto de que os nossos sentimentos e esforços são muitas vezes contraditórios e obscuros e que não podem ser expressos em fórmulas fáceis e simples.</p>
<p align="justify">O homem é, simultaneamente, um ser solitário e um ser social. Enquanto ser solitário, tenta proteger a sua própria existência e a daqueles que lhe são próximos, satisfazer os seus desejos pessoais, e desenvolver as suas capacidades inatas. Enquanto ser social, procura ganhar o reconhecimento e afeição dos seus semelhantes, partilhar os seus prazeres, confortá-los nas suas tristezas e melhorar as suas condições de vida. Apenas a existência destes esforços diversos e frequentemente conflituosos respondem pelo carácter especial de um ser humano, e a sua combinação específica determina até que ponto um indivíduo pode atingir um equilíbrio interior e pode contribuir para o bem-estar da sociedade. É perfeitamente possível que a força relativa destes dois impulsos seja, no essencial, fixada por herança. Mas a personalidade que finalmente emerge é largamente formada pelo ambiente em que um indivíduo acaba por se descobrir a si próprio durante o seu desenvolvimento, pela estrutura da sociedade em que cresce, pela tradição dessa sociedade, e pelo apreço por determinados tipos de comportamento. O conceito abstracto de “sociedade” significa para o ser humano individual o conjunto das suas relações directas e indirectas com os seus contemporâneos e com todas as pessoas de gerações anteriores. O individuo é capaz de pensar, sentir, lutar e trabalhar sozinho, mas depende tanto da sociedade – na sua existência física, intelectual e emocional – que é impossível pensar nele, ou compreendê-lo, fora da estrutura da sociedade. É a “sociedade” que lhe fornece comida, roupa, casa, instrumentos de trabalho, língua, formas de pensamento, e a maior parte do conteúdo do pensamento; a sua vida foi tornada possível através do trabalho e da concretização dos muitos milhões passados e presentes que estão todos escondidos atrás da pequena palavra “sociedade”.</p>
<p align="justify">É evidente, portanto, que a dependência do indivíduo em relação à sociedade é um facto da natureza que não pode ser abolido – tal como no caso das formigas e das abelhas. No entanto, enquanto todo o processo de vida das formigas e abelhas é reduzido ao mais pequeno pormenor por instintos hereditários rígidos, o padrão social e as interrelações dos seres humanos são muito variáveis e susceptíveis de mudança. A memória, a capacidade de fazer novas combinações, o dom da comunicação oral tornaram possíveis os desenvolvimentos entre os seres humanos que não são ditados por necessidades biológicas. Estes desenvolvimentos manifestam-se nas tradições, instituições e organizações; na literatura; nas obras científicas e de engenharia; nas obras de arte. Isto explica a forma como, num determinado sentido, o homem pode influenciar a sua vida através da sua própria conduta, e como neste processo o pensamento e a vontade conscientes podem desempenhar um papel.</p>
<p align="justify">O homem adquire à nascença, através da hereditariedade, uma constituição biológica que devemos considerar fixa ou inalterável, incluindo os desejos naturais que são característicos da espécie humana. Além disso, durante a sua vida, adquire uma constituição cultural que adopta da sociedade através da comunicação e através de muitos outros tipos de influências. É esta constituição cultural que, com a passagem do tempo, está sujeita à mudança e que determina, em larga medida, a relação entre o indivíduo e a sociedade. A antropologia moderna ensina-nos, através da investigação comparativa das chamadas culturas primitivas, que o comportamento social dos seres humanos pode divergir grandemente, dependendo dos padrões culturais dominantes e dos tipos de organização que predominam na sociedade. É nisto que aqueles que lutam por melhorar a sorte do homem podem fundamentar as suas esperanças: os seres humanos não estão condenados, devido à sua constituição biológica, a exterminarem-se uns aos outros ou a ficarem à mercê de um destino cruel e auto-infligido.</p>
<p align="justify">Se nos interrogarmos sobre como deveria mudar a estrutura da sociedade e a atitude cultural do homem para tornar a vida humana o mais satisfatória possível, devemos estar permanentemente conscientes do facto de que há determinadas condições que não podemos alterar. Como mencionado anteriormente, a natureza biológica do homem, para todos os objectivos práticos, não está sujeita à mudança. Além disso, os desenvolvimentos tecnológicos e demográficos dos últimos séculos criaram condições que vieram para ficar. Em populações com fixação relativamente densa e com bens indispensáveis à sua existência continuada, é absolutamente necessário haver uma extrema divisão do trabalho e um aparelho produtivo altamente centralizado. Já lá vai o tempo – que, olhando para trás, parece ser idílico – em que os indivíduos ou grupos relativamente pequenos podiam ser completamente auto-suficientes. É apenas um pequeno exagero dizer-se que a humanidade constitui, mesmo actualmente, uma comunidade planetária de produção e consumo.</p>
<p align="justify">Cheguei agora ao ponto em que vou indicar sucintamente o que para mim constitui a essência da crise do nosso tempo. Diz respeito à relação do indivíduo com a sociedade. O indivíduo tornou-se mais consciente do que nunca da sua dependência relativamente à sociedade. Mas ele não sente esta dependência como um bem positivo, como um laço orgânico, como uma força protectora, mas mesmo como uma ameaça aos seus direitos naturais, ou ainda à sua existência económica. Além disso, a sua posição na sociedade é tal que os impulsos egotistas da sua composição estão constantemente a ser acentuados, enquanto os seus impulsos sociais, que são por natureza mais fracos, se deterioram progressivamente. Todos os seres humanos, seja qual for a sua posição na sociedade, sofrem este processo de deterioração. Inconscientemente prisioneiros do seu próprio egotismo, sentem-se inseguros, sós, e privados do gozo naïve, simples e não sofisticado da vida. O homem pode encontrar sentido na vida, curta e perigosa como é, apenas dedicando-se à sociedade.</p>
<p align="justify">A anarquia económica da sociedade capitalista como existe actualmente é, na minha opinião, a verdadeira origem do mal. Vemos perante nós uma enorme comunidade de produtores cujos membros lutam incessantemente para despojar os outros dos frutos do seu trabalho colectivo – não pela força, mas, em geral, em conformidade com as regras legalmente estabelecidas. A este respeito, é importante compreender que os meios de produção – ou seja, toda a capacidade produtiva que é necessária para produzir bens de consumo bem como bens de equipamento adicionais – podem ser legalmente, e na sua maior parte são, propriedade privada de indivíduos.</p>
<p align="justify">Para simplificar, no debate que se segue, chamo “trabalhadores” a todos aqueles que não partilham a posse dos meios de produção – embora isto não corresponda exactamente à utilização habitual do termo. O detentor dos meios de produção está em posição de comprar a mão-de-obra. Ao utilizar os meios de produção, o trabalhador produz novos bens que se tornam propriedade do capitalista. A questão essencial deste processo é a relação entre o que o trabalhador produz e o que recebe, ambos medidos em termos de valor real. Na medida em que o contrato de trabalho é “livre”, o que o trabalhador recebe é determinado não pelo valor real dos bens que produz, mas pelas suas necessidades mínimas e pelas exigências dos capitalistas para a mão-de-obra em relação ao número de trabalhadores que concorrem aos empregos. É importante compreender que, mesmo em teoria, o pagamento do trabalhador não é determinado pelo valor do seu produto.</p>
<p align="justify">O capital privado tende a concentrar-se em poucas mãos, em parte por causa da concorrência entre os capitalistas e em parte porque o desenvolvimento tecnológico e a crescente divisão do trabalho encorajam a formação de unidades de produção maiores à custa de outras mais pequenas. O resultado destes desenvolvimentos é uma oligarquia de capital privado cujo enorme poder não pode ser eficazmente controlado mesmo por uma sociedade política democraticamente organizada. Isto é verdade, uma vez que os membros dos órgãos legislativos são escolhidos pelos partidos políticos, largamente financiados ou influenciados pelos capitalistas privados que, para todos os efeitos práticos, separam o eleitorado da legislatura. A consequência é que os representantes do povo não protegem suficientemente os interesses das secções sub-privilegidas da população. Além disso, nas condições existentes, os capitalistas privados controlam inevitavelmente, directa ou indirectamente, as principais fontes de informação (imprensa, rádio, educação). É assim extremamente difícil e mesmo, na maior parte dos casos, completamente impossível, para o cidadão individual, chegar a conclusões objectivas e utilizar inteligentemente os seus direitos políticos.</p>
<p align="justify">Assim, a situação predominante numa economia baseada na propriedade privada do capital caracteriza-se por dois principais princípios: primeiro, os meios de produção (capital) são privados e os detentores utilizam-nos como acham adequado; segundo, o contrato de trabalho é livre. Claro que não há tal coisa como uma sociedade capitalista pura neste sentido. É de notar, em particular, que os trabalhadores, através de longas e duras lutas políticas, conseguiram garantir uma forma algo melhorada do “contrato de trabalho livre” para determinadas categorias de trabalhadores. Mas tomada no seu conjunto, a economia actual não difere muito do capitalismo “puro”.</p>
<p align="justify">A produção é feita para o lucro e não para o uso. Não há nenhuma disposição em que todos os que possam e queiram trabalhar estejam sempre em posição de encontrar emprego; existe quase sempre um “exército de desempregados. O trabalhador está constantemente com medo de perder o seu emprego. Uma vez que os desempregados e os trabalhadores mal pagos não fornecem um mercado rentável, a produção de bens de consumo é restrita e tem como consequência a miséria. O progresso tecnológico resulta frequentemente em mais desemprego e não no alívio do fardo da carga de trabalho para todos. O motivo lucro, em conjunto com a concorrência entre capitalistas, é responsável por uma instabilidade na acumulação e utilização do capital que conduz a depressões cada vez mais graves. A concorrência sem limites conduz a um enorme desperdício do trabalho e a esse enfraquecimento consciência social dos indivíduos que mencionei anteriormente.</p>
<p align="justify">Considero este enfraquecimento dos indivíduos como o pior mal do capitalismo. Todo o nosso sistema educativo sofre deste mal. É incutida uma atitude exageradamente competitiva no aluno, que é formado para venerar o sucesso de aquisição como preparação para a sua futura carreira.</p>
<p align="justify">Estou convencido que só há uma forma de eliminar estes sérios males, nomeadamente através da constituição de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educativo orientado para objectivos sociais. Nesta economia, os meios de produção são detidos pela própria sociedade e são utilizados de forma planeada. Uma economia planeada, que adeqúe a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho a ser feito entre aqueles que podem trabalhar e garantiria o sustento a todos os homens, mulheres e crianças. A educação do indivíduo, além de promover as suas próprias capacidades inatas, tentaria desenvolver nele um sentido de responsabilidade pelo seu semelhante em vez da glorificação do poder e do sucesso na nossa actual sociedade.</p>
<p align="justify">No entanto, é necessário lembrar que uma economia planeada não é ainda o socialismo. Uma tal economia planeada pode ser acompanhada pela completa opressão do indivíduo. A concretização do socialismo exige a solução de problemas sócio-políticos extremamente difíceis; como é possível, perante a centralização de longo alcance do poder económico e político, evitar a burocracia de se tornar toda-poderosa e vangloriosa? Como podem ser protegidos os direitos do indivíduo e com isso assegurar-se um contrapeso democrático ao poder da burocracia?</p>
<p align="justify">A clareza sobre os objectivos e problemas do socialismo é da maior importância na nossa época de transição. Visto que, nas actuais circunstâncias, a discussão livre e sem entraves destes problemas surge sob um tabu poderoso, considero a fundação desta revista como um serviço público importante.</p>
<p align="center">- x -</p>
<p align="justify">Einstein escreveu este trabalho especialmente para o lançamento da Monthly Review, cujo primeiro número foi publicado em Maio de 1949. Tradução de Anabela Magalhães.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/gritodosmudos.wordpress.com/12/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/gritodosmudos.wordpress.com/12/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/gritodosmudos.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/gritodosmudos.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/gritodosmudos.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/gritodosmudos.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/gritodosmudos.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/gritodosmudos.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/gritodosmudos.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/gritodosmudos.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/gritodosmudos.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/gritodosmudos.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/gritodosmudos.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/gritodosmudos.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/gritodosmudos.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/gritodosmudos.wordpress.com/12/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gritodosmudos.wordpress.com&amp;blog=1045436&amp;post=12&amp;subd=gritodosmudos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/04/porque-o-socialismo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/835381d9c9f60b5dc8e997ed4935bf59?s=96&#38;d=identicon" medium="image">
			<media:title type="html">gritodosmudos</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://gritodosmudos.files.wordpress.com/2007/05/albert-einstein-01.thumbnail.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Acerca do Grito dos Mudos</title>
		<link>http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/01/acerca-do-grito-dos-mudos/</link>
		<comments>http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/01/acerca-do-grito-dos-mudos/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 01 May 2007 01:53:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gritodosmudos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Edição]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/01/acerca-do-grito-dos-mudos/</guid>
		<description><![CDATA[Seja Bem-Vindo, Este blog é agora inaugurado por dois estudantes universitários. O nosso projecto não poderia ter nascido em melhor data. Hoje é 1 de Maio. É o dia em que nós saímos às ruas deste planeta e gritamos aquilo que recalcámos em silêncio durante o nosso dia-a-dia. É o dia em que fazemos tremer [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gritodosmudos.wordpress.com&amp;blog=1045436&amp;post=5&amp;subd=gritodosmudos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Seja Bem-Vindo,</p>
<p align="justify"> Este blog é agora inaugurado por dois estudantes universitários. O nosso projecto não poderia ter nascido em melhor data.</p>
<p align="justify">Hoje é 1 de Maio. É o dia em que nós saímos às ruas deste planeta e gritamos aquilo que recalcámos em silêncio durante o nosso dia-a-dia. É o dia em que fazemos tremer a estrutura social que nos explora e aprisiona numa precária condição social. Neste dia, muitos de Nós não sabe ou não se lembra, para onde este dia nos encaminhará; muitos de Nós estão descrentes ou acreditam naqueles que sistematicamente afirmam que o mundo mais justo é uma utopia impraticável. Esse estado de espírito é compreensível: como podemos acreditar num Mundo Novo se não sabemos exactamente o que isso é? Se nem sequer compreendemos bem este? Se nem aqueles que muito sabem, conseguem fazer deste mundo um mundo melhor? E, o que é mesmo isso de Socialismo?</p>
<p align="justify">É a muitas destas perguntas a que os autores deste blog se propõem a tentar responder. Não somos de maneira nenhuma intelectuais com idade e postura de quem muito tem para ensinar. Não temos de maneira nenhuma todas as respostas, temos sobretudo muito para aprender. Somos apenas jovens que procuram compreender o Nosso mundo e as suas dinâmicas sociais de uma forma científica, de forma a permitir-nos saber como mudá-lo, e fazer deste planeta um lugar melhor para a esmagadora maioria de Nós.</p>
<p align="justify">Convidamos todos a visitarem-nos regularmente. Publicaremos textos que mais nos ajudaram ou irão ajudar na nossa formação política, e publicaremos artigos retirados de sites de referência que nos ajudarão a compreender melhor o Nosso Mundo. Tudo isto da forma mais acessível a todos.</p>
<p align="justify">Assim, talvez ajudemos alguns de Nós &#8211; Trabalhadores ou futuros trabalhadores &#8211; a melhor articular nossos conhecimentos, tornando-nos mais conscientes. Fazendo das futuras lutas e dos próximos Primeiros de Maio, verdadeiros terramotos sociais que nos Libertarão;<br />
A revolução verdadeiramente revolucionária realizar-se-á, primeiramente, não no mundo exterior mas na consciência de cada um de nós. Ganhemos então a consciência, revolucionaremos depois.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/gritodosmudos.wordpress.com/5/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/gritodosmudos.wordpress.com/5/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/gritodosmudos.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/gritodosmudos.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/gritodosmudos.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/gritodosmudos.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/gritodosmudos.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/gritodosmudos.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/gritodosmudos.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/gritodosmudos.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/gritodosmudos.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/gritodosmudos.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/gritodosmudos.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/gritodosmudos.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/gritodosmudos.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/gritodosmudos.wordpress.com/5/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gritodosmudos.wordpress.com&amp;blog=1045436&amp;post=5&amp;subd=gritodosmudos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://gritodosmudos.wordpress.com/2007/05/01/acerca-do-grito-dos-mudos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/835381d9c9f60b5dc8e997ed4935bf59?s=96&#38;d=identicon" medium="image">
			<media:title type="html">gritodosmudos</media:title>
		</media:content>
	</item>
	</channel>
</rss>
